sexta-feira, 12 de setembro de 2008

LEGADO

Repetiei aqui, comentadamente, a parte desta sessão que foi iniciada no outro blog. Para que o legado fique inteiro.



LEGADO PRIMEIRO!
...Gostaria de ter escrito uma estória baseada na vida real. (qual estória não é baseada na vida real?) de uma mulher chamada Maria, de repente descobre que tem AIDS e só pode ter pego de um caso antigo, com quem teve um encontro recente, chamemos de João. O único com quem transou sem camisinha, só pode ter sido dele. E foi só uma noite, depois nunca mais viu.
Então ela vai procurá-lo, desesperada e possessa, para dizer que ele não tinha o direito de fazer isso com ela. Que ele é um assassino.
João leva um enorme susto. Não sabia que tem AIDS. Faz o exame, que dá positivo. Aí ele tem certeza que pegou dela. Ele vai reclamar, chamá-la de assassina.
Nessa pequena trama moderna, jamais saberemos quem pegou de quem a doença. Porém, na aventura de descobrir, os dois, igualados pela infelicidade, acabam por afeiçoar-se, apaixonam-se, casam e estão felizes até hoje. Sem camisinha. Que aliás, é um bom título. * Isso me soa como uma trama paralela de um filme com várias tramas.


LEGADO SEGUNDO
Gostaria de escrever uma estória de amor sofrido. Que coloca em cena um embate de idades.
Uma mulher chamada Lucília (a pedido do blogueiro Bayão) tem dois amantes. E ama os dois. Verdadeiramente, sem saber escolher porque eles lhe oferecem coisas muito diferentes.
Um é muito mais velho e outro muito mais moço que ela.
Penso que eles se odeiam. Embora mal se conheçam. E desejam a morte, um do outro. É um thriller, com suspense. O velho planeja detalhadamente matar o moço, que por sua vez, planeja matar o velho. Pois nenhum dos dois conseguiria viver sem Lucília.
No desenrolar da trama, é ela quem morre primeiro, não sei bem como. Talvez nem saibamos quem matou, posto que ela estava num fogo cruzado. Imagino cenas fortes.
1. O encontro dos dois rivais tentando convencer um ao outro a largar a mulher, para não se tornarem assassinos.
2. A descoberta de Lucília que algo terrível está para acontecer. Embora na aparência, seja uma risonha história de paixão.
O jovem morre também, assassinado pelo velho. Desesperado porque Lucília morreu.
E fica vivo, ele é o sobrevivente. Fica quem não devia ficar: O velho sobrevive. Talvez seja uma tragédia, mas melhor que seja uma comédia. Inglesa. Elegante.


LEGADO TERCEIRO
Histórias podem partir de uma situação, até de um sentimento, ou diretamente de um personagem.
Nosso personagem é um confidente profissional. Com a vocação de um confidente. Tudo começou quando ele parou de guiar automóveis, ficou com medo dos outros automóveis e tornou-se um carona contumaz. Então ele ouve confidências de quem guia. Vantagens da fobia. Dois casais lhe dão carona freqüentemente. Digamos o casal A e B e o casal X e Y. Carona para o trabalho, de volta para o trabalho. Um para a pesca do fim de semana, de volta da pesca. Então ele recebe, uma a uma, as confidencias de A, em crise de casamento com B, e amante de Y. Depois de X, em crise no casamento com Y, e amante de B. E assim por diante, ele toma conhecimento de tudo. Sendo que os amantes não sabem que são traídos.
Uma cena interessante seria um jantar dos cinco, no qual todos aparentam casais felizes. E ele sabe de tudo e tem suas idéias próprias, de quem deveria ficar com quem. Então ele manobra e consegue trocar os casais. Mas nada dá certo, etc., cupido não se deixa manobrar, todos acabam descobrindo que ele sabia e querendo trucidar. Sentindo-se traídos porque não foram comunicados.
Não sei como termina isso. A única coisa que sei é que a última imagem é ele sozinho, guiando um carro velho que comprou.
É possível que ele seja viúvo de uma mulher fiel, que ele nunca traiu. E que agora, depois de anos, esteja se engraçando desajeitadamente de uma senhora bem sapeca, da vizinhança.
É uma comédia Molieresca.
Há pessoas assim.



AUTO-AJUDA:
Nunca entendi porque a transmissão de experiência de uma pessoa para outra chama-se "auto-ajuda". É o outro que ajuda, com sua vivência evita uma repetição de erros. Não acho que esse tipo de livro seja tão imbecil assim. Em geral, repetem sabedorias ancestrais de modo mais ou menos moderno. Ou lembram as regras primeiras do bom senso.
Em geral, dentro de um livro desses há sempre um pensamento útil, afinal, sabedoria é como mãe, cada um tem a sua.
Sou da geração de Dale Carnegie, que pintou e bordou, na época dele. Vendeu tanto quanto Paulo Coelho ou Fritzkahn com um livro chamado "Como vencer na vida e influenciar pessoas". Eu, com 15 anos, gostava muito. Enfim, da semana que vem em diante, coloco aqui os cacos de sabedoria da minha lavra. Ou minhas frases prediletas. Tentarei dar uma estrutura a tudo isso. Dizem que os bons conselhos são aqueles que você não precisa seguir.
"A vida é uma estória contada por um louco. Cheia de som, cheia de fúria, e significando porra nenhuma." Ou "um momento de beleza e uma alegria para sempre". Ou ainda "the world is a word, o mundo é uma palavra." que dizem que é de Shakespeare, mas eu nunca achei em peça nenhuma.

11 comentários:

Miguel Oniga disse...

Computador em francês é "ordinateur", monsieur. Sorry, periferia.

Miguel Oniga disse...

derivada 3:
o gato cria asas e voa. Entra por uma janela alta e dá de cara consigo mesmo no espelho, onde vê que não tem asas e pensa em gatês: Kid Acho !

polaroidesliterarias disse...

O novo nome é ótimo, e me deu uma excelente idéia: o velho chamaria Lucídia de Lucídia mesmo, já o jovem a chamaria de Lú. Penso que os dois poderiam começar a história amigos, aumentando ainda mais a dificuldade de levar pra frente a idéia de um eliminar o outro. Mas o amor de Lucídia (ou Lú) falaria mais alto.

Sem dúvida uma comédia.

polaroidesliterarias disse...

Tem sido um desafio interessante matar Lucídia e o jovem. Não consigo me desvencilhar da idéia original que tive, dela engravidando de um deles, do jovem. Não quero matá-la. Ao mesmo tempo não quero fugir da sua sinopse original. De qualquer maneira algo bom vem aí, aguarde. Tenho uma sequência inicial que é uma delícia!

abs

polaroidesliterarias disse...

Lucília.

Tais disse...

Lucilia, com medo das ameaças contrata um segurança, disfarçado que a segue por onde ela vá.. os 2 amantes se veem diante dela, e pedem pra ela ter a escolha final. o que não for escolhido se suicida. esse foi o combinado entre os 2 amantes.. é aí q descobrem que nesse meio tempo, ela se apaixonou pelo segurança, a terceira figura da historia, que nesse tenso momento se descamufla, e aparece. um dos amantes, da um tiro pra acertar o segurança, e ela entra na frente, e morre.. e os 3 assistem a cena. e ela diz: minha alma ja não vivia mais.. pouca diferença faz o antes e o agora.. antes morrer sem um amor, do que viver entre varios amores.
(somente ideias vagas, q me vieram agora... se nao servir , podem servir como nuances de novos flashs......) um grande beijo!

rodrigo disse...

Domingos , a peça " A primeira Valsa " , tem de ser filmada urgentemente ,todos esses textos remetem a ela , ou melhor quase todos .
A primeira valsa é linda ,linda e mil vezes linda .
Está difícil encontrar seu filme " É Simonal " , acredito que nem você o tenha .

sandra adria_na fasolo disse...

Olá, Domingos, cheguei ao teu blog por ter lido a carta aberta publicada no blog do Marcelo Rubens Paiva que tenho lido com frequência. É formidável, tuas ideias são bacanérrimas e a tua forma de sentir e falar sobre a vida e o mundo idem. Vou ter que te linkar no meu blog para ir te lendo com mais calma. Gostei também da trama sobre o velho, o jovem e a lucídia. Lembrei de um filme do etore scolla, 'mario, maria, mario', o título poderia ser 'joão lucídia joão', joão sobrevive, o velho joão, mas por quê? ... um certo chamado à solidão, os jovens não querem ainda a solidão, poderia imaginar que ao imaginar que era o único que vivia a solidão, não suportou, não era compartilhável. Então sobra só joão (o velho) porque não soube suportar algo que os outros ainda não saberiam viver. Não poderiam. (olha, só divaguei rapidinho aqui, liga, sim?, porque nessa linha fica mais trágico ainda) um abraço, eu adorei descobrir teus escritos. sandra

sandra adria_na fasolo disse...

Voltei, Adorei o 'legado 4', sobre os passos de uma mulher na rua, indo embora, e indo embora de novo. Imaginei ela passando com o rosto de lado e caminhando de costas para a câmera (não entendo nada de cinema, ok?, só de imaginação, é que os teus legados são bonitos demais), tem que ter chuva fina, tem que ser à noite, partir à noite é sempre mais tocante pois mais solitário, uma música tipo beirut, '... smille', ela parte uma primeira vez sorrindo, ela parte uma segunda vez, sorrindo de novo? ou não? qual a diferenças das 'partidas'?, gostei muito. posso, talvez, escrever um post citando o teu legado?, quer dizer, misturando o teu legado com a minha imaginação? (não sei se posso, sempre consulto)
abs

sandra adria_na fasolo disse...

Domingos, tudo ok?
Escrevi um post a partir de um dos teus legados, está citado entre aspas direitinho. Se achares que é para eu retirar, avisa, sim?

Teus legados são super bonitos. Tô me inspirando neles.
:)
(que acaso, a palavra de verificação é h_ande)

josé carlos aragão disse...

Caro Domingos,
Gostei do seu legado primeiro - "Sem camisinha" - e estou tentado a desenvolvê-lo. Tá liberado?
Abs.
Aragão (de Belo Horizonte)